Custo de tokens em IA: como calcular e otimizar gastos com LLMs
A conta de IA chegou como surpresa para muita gente. Não precisa ser assim. Entender o custo de tokens é simples quando você quebra em três passos — e estratégico quando você escolhe o modelo certo para cada tarefa.
Por Eliana Cecilia · Publicado em 11 de junho de 2026 · 6 min de leitura
Resumo executivo: o custo de uma chamada a um LLM é (tokens de entrada × preço) + (tokens de saída × preço). Tokens de saída custam 4 a 5× mais que os de entrada. A diferença entre o modelo mais barato e o mais caro pode ser de mais de 100×. Quem estoura orçamento quase nunca usou o modelo errado — usou o modelo certo para tudo, sem distinção por tarefa.
1. O que é um token?
Token é a unidade básica que um modelo de linguagem lê e gera. Não é exatamente uma palavra nem uma letra — está em algum lugar no meio. Como regra prática para o português:
~750 palavras ≈ 1.000 tokens. Este parágrafo, por exemplo, tem cerca de 60 tokens.
É a unidade de medida que aparece em toda fatura de IA. Tudo que o modelo lê e tudo que ele escreve é contado em tokens — e cobrado por milhão de tokens.
2. Tokens de entrada e de saída
Toda interação com um modelo tem dois lados:
- Entrada (input): o que você manda — prompt, contexto, documentos anexados, histórico da conversa. Tudo que o modelo precisa ler para responder.
- Saída (output): o que o modelo devolve — a resposta gerada, o código escrito, o resumo produzido.
Você paga pelos dois. O detalhe que a maioria ignora: tokens de saída custam de 4 a 5× mais que os de entrada.
Em um agente que lê muito e responde pouco (classificação, extração, roteamento), a conta é controlável. Em um agente que gera textos longos em loop (redação, código, relatórios), ela explode.
3. A fórmula do custo
É sempre a mesma:
Custo = (tokens de entrada × preço/1M de entrada)
+ (tokens de saída × preço/1M de saída)Dois números do provedor, duas contagens da sua aplicação. Toda ferramenta de FinOps de IA séria começa medindo exatamente isso — por chamada, por feature, por usuário.
4. Comparativo de preços entre modelos
A diferença entre modelos é brutal. Preços de referência por milhão de tokens (USD):
| Modelo | Entrada /1M | Saída /1M |
|---|---|---|
| Gemini Flash-Lite | US$ 0,10 | US$ 0,40 |
| Claude Sonnet 4.6 | US$ 3,00 | US$ 15,00 |
| Claude Opus 4.8 | US$ 5,00 | US$ 25,00 |
| Claude Fable 5 | US$ 10,00 | US$ 50,00 |
| GPT-5.4 Pro | US$ 30,00 | US$ 180,00 |
Valores ilustrativos com base em tabelas públicas dos provedores em 2026. Consulte a documentação oficial antes de decisões de arquitetura.
Um agente que processa 500 mil tokens/dia no Claude Fable 5 custa cerca de US$ 750/dia. No Gemini Flash-Lite, US$ 7/dia. Mesma carga. Diferença de 100×.
5. A decisão estratégica: modelo por tarefa
A pergunta certa não é “qual modelo usar?” — é “qual modelo usar para cada tarefa?”.
- Tarefas simples e de alto volume (classificação, extração, resumo, roteamento) → modelos baratos.
- Tarefas de alto valor e baixa frequência (análise complexa, código crítico, raciocínio multi-passo) → modelos caros.
A maioria das empresas que estourou o orçamento não usou o modelo errado. Usou o modelo certo para tudo, sem distinção.
Antes de escalar qualquer pipeline de IA, responda objetivamente: qual proporção das suas tarefas realmente precisa do modelo mais poderoso? Em produtos maduros, a resposta costuma ficar entre 5% e 15%.
6. Perguntas frequentes
O que é um token em modelos de IA?
Token é a unidade que o LLM usa para processar texto. Em português, cerca de 750 palavras equivalem a 1.000 tokens.
Por que tokens de saída custam mais?
Gerar texto exige mais computação que ler. Provedores precificam saída de 4 a 5× acima da entrada para refletir esse custo.
Como reduzir custo sem perder qualidade?
Roteie tarefas por modelo, limite o tamanho da resposta, use cache de prompt e meça custo por feature antes de escalar.
Quando vale usar GPT-5 Pro ou Claude Opus?
Em decisões críticas, raciocínio longo, código complexo ou quando o erro de um modelo barato custa mais que a economia que ele gera.
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